quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sobre a Mostra "Aquilo que Dói no Macho"



Às vezes nus,
às vezes loucos.
Ora sábios,
ora como tolos.
Dessa forma eles aparecem na terra:
Os homens livres.
Verso Hindu.


Pra não dizer que não falei da flor de Cesar Marins


         No dia 13 de agosto, fui agraciada com o trabalho de artistas de Ribeirão Pires na mostra “Aquilo que dói no macho”, realizada pelo Sítio Cultural Alsácia. A mostra apontou com delicadeza uma porção de tapas na cara e socos no estômago, algo que vai além da óbvia necessidade do sentir. Me foi preciso ultrapassar barreiras sociais para contemplar a fragilidade masculina dentro de um recorte que não esperávamos: a fala de um palhaço.

Foto por Thais Moura

         Cesar Marins nos trouxe o espetáculo “Pra não dizer que não falei da flor”, na qual nos conta da dor e dos destroços de uma guerra, também exposta como um conflito ideológico de ser e estar no mundo, em paralelo com a delicadeza e espontaneidade da infância. O personagem, interagindo com o público, expõe seus medos e prazeres da fase infantil nos levando, através da narrativa, até a fase adulta onde, no meio de uma guerra, se apaixona por uma jovem.
 Em alguns momentos apenas esquecemos a farda que o personagem usa e brincamos de “pêra, uva, maçã ou vitamina estragada” juntamente a ele, sem ligar para todo o peso do real motivo de estarmos ouvido aquela história que transita entre o drama e a comédia de forma leve e engraçada, e conta das particularidades e lembranças de um adulto ferido pelo tempo que vive desviando das adversidades e problemas.
         Um dos espetáculos mais engraçados que já assisti. Como uma criança, pude contemplar as fragilidades do outro com total curiosidade, disposição e muitas risadas.

Foto por Thais Moura
Foto por Thais Moura

Por Suzi Jardim
Integrante do Pequeno Teatro de Torneado

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